Olhar em perspectiva

Ninguém disse que é fácil encarar uma situação difícil e ter clareza na tomada de decisão mais pertinente para resolver um determinado problema. Mas ninguém disse também que isso é impossível e que nunca ninguém conseguiu.

Longe de ser uma regra geral, encontrei uma maneira bem minha de lidar com as surpresas não tão agradáveis da vida. A minha fórmula pessoal é olhar as coisas em perspectiva e vou já vou explicar, de maneira bem prática como é isso.

Imagina que alguém te dê um objeto para fotografar. Você pode sacar a máquina e fazer a foto de exatamente onde você está. Daquele ponto em que foi feito o convite e, com certeza, vai ter uma fotografia do objeto. Mas o desenvolvimento de perspectiva te oferece a oportunidade de você variar as posições dos olhares direcionados àquele objeto específico porque ainda que o objeto esteja fixo, imóvel e estagnado, você é sempre livre e está em movimento constante. Você pode, por exemplo, se distanciar para ter uma visão mais total do que quer, aproximar-se para ver um detalhe, rodar e enxergar outro ângulo que não havia visto anteriormente.

Essa mudança de foco é o que uso para a maioria dos problemas que eu encontro. Não preciso de receitas prontas e de padrões estabelecidos sem reflexão sobre a cena que estou vendo. Funciono bem na vulnerabilidade e acredito que esse é o melhor meio para a criatividade, a espontaneidade e a autenticidade aparecerem.

Sabe quando você olha uma situação e já conclui? Essa rapidez pode te custar a perda do melhor que a cena pode te oferecer. Outro dia aprendi sobre isso em um curso que eu fiz sobre mindfulness, que na tradução literária significa “atenção plena”. Aprendi que o primeiro passo é desenvolvermos um olhar em camadas e vermos diferentes campos e contextos. Olhamos uma situação, paramos e não concluímos rapidamente. A primeira observação pode estar desfocada, embaçada e nada clara. Então precisamos olhar de novo, e de novo e novo. Talvez a partir de um outro ponto de vista e, devagar, as coisas vão ficando lúcidas, porque uma cena poluída de impressões pode esconder a beleza de uma situação incrível que está só ali, esperando para ser explorada por nossos sentidos.

Não consigo mensurar quantas coisas eu perdi tendo pressa no meu olhar e no meu julgamento. Acredito que o mesmo já aconteceu com você. Aquela briga desnecessária que te custou um rompimento com quem amava, de repente. Ou uma resposta que feriu profundamente alguém importante no seu ciclo de amizades. Até mesmo uma situação banal que poderia ter te aberto uma oportunidade e por causa do seu olhar apressado e contaminado pela mente borbulhando, fez passar a chance e não voltar mais.

Ter a mente clara, a coerência entre o que somos e pensamos e agir com menos julgamento é exercício diário e requer determinação. Aristóteles bem dizia que a virtude é adquirida e vem da humanização, portanto ela é hábito. É muito difícil conseguirmos esvaziar nossas mentes para termos clareza nas decisões se não praticamos a perspectiva de outros ângulos para uma mesma situação. Exige suor e persistência, mas vale a pena quando encontramos a clareza depois dos olhos embaçados.

Fico pensando em como isso poderia nos ajudar a melhorar nossos mundos. Já pensou?

Um abraço generoso,

Renata.

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